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13.11.2020 – Mozart e Bob Dylan

 

Um pensamento de Mozart que liga o gênio de Salzburg a Bob Dylan. 

 

“Não levo em consideração nem elogios, nem críticas de qualquer pessoa. Sigo apenas meus próprios sentimentos.”

 

WOLFGANG AMADEUS MOZART

 

16.10.2020 – O Grande Ditador por Charlie Chaplin

 

A realidade dos fatos está eivada de contradições, enigmas quase impossíveis de serem elucidados. Talvez ela seja realmente simples, mas não para a mente humana sempre precária. Cabe aos humanos a luta constante e vã para iluminar, apesar de todos os perigos, as várias facetas da realidade.

Charlie Chaplin realizou uma obra-prima (mais uma entre tantas) em plena Segunda Guerra Mundial, O Grande Ditador. O filme versa sobre a ameaça totalitária de um Hitler nazista e de um Mussolini fascista, focalizando a perseguição aos indivíduos judeus e não-judeus. Estreou nos Estados Unidos em outubro de 1940, um ano antes de os americanos entrarem na guerra depois do ataque a Pearl Harbour em dezembro de 1941. O sucesso foi grande tanto entre os americanos como entre os europeus após a estreia no Velho Continente. Hoje em dia a película é aclamada como a obra de arte que realmente é, além de ser saudada como peça de resistência à ameaça totalitária das potências do Eixo na Segunda Guerra.

Em seu livro My Autobiography (1964), Charles Chaplin revela as contradições que acompanharam a realização de O Grande Ditador.  A mais surpreendente foi saber que ele realizou o filme praticamente com seus próprios recursos.  Ninguém quis financiar sua aventura, nem os judeus ricos de Nova York. Todos alegavam que não era bom atacar Hitler, que isso seria contraproducente para a solução dos conflitos geopolíticos então em andamento.

Charles Chaplin foi muito atacado nos Estados Unidos, por suas ideias que diziam ser socialistas ou até mesmo comunistas. Ele chegou a ser submetido a um julgamento por uma acusação caluniosa, no qual foi absolvido porque prevaleceu a justiça. Nos anos 50, porém, as forças que o atacavam conseguiram expulsá-lo dos Estados Unidos.  O surpreendente é saber que essas forças atacaram sobremaneira o seu filme O Grande Ditador.  O que mais lhes desagradou foi a cena final, quando Charles Chaplin como que sai da trama ficcional e profere um discurso contra a perseguição aos indivíduos, no caso os judeus, e em favor da paz. Em retrospectiva, não é raro as contradições aflorarem com grande ímpeto.

Ainda na sua autobiografia, Chaplin relata que no final de 1940 compareceu a uma cerimônia na Casa Branca, e que o único comentário de Franklin D. Roosevelt sobre O Grande Ditador foi: “O seu filme está nos causando problemas na Argentina.”

Eleanor Roosevelt at FDR’s third inaugural ball, tonight 1941, with Mickey Rooney and Charlie Chaplin, who had just made “The Great Dictator”

Que ninguém se iluda, a mente humana é precária e a dança das ideologias é macabra. Mas cumpre lembrar que os grandes artistas sabem fazer soar de vez em quando os acordes magníficos da verdade pressentida.

 

 

04.08.2020 – Uma recomendação de Rainer Maria Rilke

 

Lesen Sie möglichst wenig ästhetisch-kritische Dinge, es sind entweder Parteiansichten, versteinert und sinnlos geworden in ihrem leblosen Verhärtetsein, oder es sind geschickte Wortspiele, bei denen heute diese Ansicht gewinnt und morgen die entgegengesetzte. Kunst-Werke sind von einer unendlichen Einsamkeit und mit nichts so wenig erreichbar als mit Kritik. Nur Liebe kann sie erfassen und halten und kann gerecht sein gegen sie. Geben Sie jedesmal sich und Ihrem Gefühl recht, jeder solchen Auseinandersetzung, Besprechung oder Einführung gegenüber; sollten Sie doch unrecht haben, so wird das natürliche Wachstum Ihres inneren Lebens Sie langsam und mit der Zeit zu anderen Erkenntnissen führen.

Rainer Maria Rilke 

 

Leia o mínimo possível de textos críticos e estéticos; ou são pontos de vista parciais, petrificados e sem sentido em seu endurecimento sem vida, ou são jogos de palavras hábeis nos quais uma visão vence hoje e a visão oposta amanhã. A solidão das obras de arte é infinita, e nada as alcança menos do que a crítica. Somente o amor pode compreendê-las, conservá-las e tratá-las com justeza. Sempre dê a si mesmo e a seus sentimentos a primazia sobre qualquer uma dessas explicações, recensões ou introduções; se você estiver errado, o crescimento natural de sua vida interior o levará lentamente com o passar do tempo a outras compreensões.

 

03.08.2020 – Um pensamento de Rainer Maria Rilke

 

Wenn Ihr Alltag Ihnen arm scheint, klagen Sie ihn nicht an; klagen Sie sich an, sagen Sie sich, daß Sie nicht Dichter genug sind, seine Reichtümer zu rufen; denn für den Schaffenden gibt es keine Armut und keinen armen, gleichgültigen Ort.

                                                     Rainer Maria Rilke

 

Se o cotidiano lhe parece pobre, não o culpe por isso; culpe a si mesmo, diga a si próprio que não é deveras poeta para invocar suas riquezas; para quem cria, não há pobreza, nenhum lugar pobre e indiferente.

 

25.10.2017 – A Marcha da Estupidez

Leio com espanto uma notícia das terras norte-americanas. Em Illinois uma professora universitária de matemática afirma sem pejo que a matemática, a álgebra e a geometria promovem o privilégio branco. Se alguém é talentoso nessa área, ofende as pessoas de outras raças que não têm tanta familiaridade com os números.

Difícil entender essa relação entre os números e as raças – uma pista da professora é que as palavras gregas já trazem a marca da superioridade dos brancos. E eu que imaginava ser arábica a origem da palavra álgebra.

Há tempos li que uma grande realização matemática foi a invenção do zero, que se deu na Índia e que, curiosamente, existia também entre os maias. A civilização maia se extinguiu, mas os indianos pelo jeito ainda terão de expiar sua superioridade matemática que ofende tantos outros povos.

Em meio a esse alarido mais ensurdecedor que um samba-enredo de carnaval, procuro envolta nas dobras do passado a voz de meu professor de matemática a me esclarecer as equações e os teoremas. Um arrimo contra os furacões da estupidez.

 

20.02.2017 – Marcel Proust no casamento de um amigo em 1904

 

A memória vive a nos pregar peças, o que sempre me levou a considerar inglória nossa lida com o tempo. Mais do que o passado e o futuro, é o presente que me parece escorrer irremediavelmente de nossas mãos, talvez por sua natureza inefável. O presente não comporta a memória. Quando li há alguns anos os dois primeiros volumes de “Em busca do tempo perdido”, senti intensamente o trabalho de Sísifo empreendido por Marcel Proust. E o matiz trágico daquela leitura voltou a surgir diante de meus olhos na leveza apressada de uma imagem descoberta por um estudioso canadense da obra de Proust, Jean-Pierre Sirois-Trahan. Vasculhando papéis sobre Proust, ele encontrou um filme de 35 milímetros documentando o casamento de Armand de Gramont, duque de Guiche, que era amigo íntimo de Proust, com Élaine Greffulhe, filha da condessa de Greffulhe, em 1904. O filme tem pouco mais de um minuto, e na cena que acompanha o cortejo nupcial, Marcel Proust, de chapéu coco e casacão cinza, aparece por cinco fugidios segundos. A descoberta foi divulgada no início de fevereiro deste ano, num  artigo da “Revue d’Études Proustiennes”. Abaixo Proust numa imagem editada do filme e o vídeo com o cortejo do casamento – a figura de Proust aparece no intervalo de 0:35 – 0:39 segundos.

Proust em1904

 

18.02.2017 – Pensamento de Dalai Lama

 

“Amor e compaixão representam para mim
uma religião generosa, universal.
Ninguém precisa de templos ou igrejas para isso,
nem mesmo uma crença específica,
se cada um apenas tenta ser um ser humano
com um coração generoso e um sorriso,
isto basta.”

                                        Dalai Lama

                                                                       Tradução:

12.11.2016 – Sobre o pensamento politicamente correto

 

Diz um antigo ditado latino (em versão livre para o português): “Quando querem destruir alguém, os deuses começam por enlouquecê-lo”. Nos tempos difíceis que estamos vivendo, fiquei pensando sobre o que chamam de “pensamento politicamente correto”, um câncer que atacou as mentes humanas e já atingiu o grau de metástase.  E me ocorreu parafrasear a sentença remota: “Quando querem transformar os outros em escravos, os homens começam por emburrecê-los”.

13.10.2106 – Bob Dylan

 

        The Nobel Prize in Literature 2016 is awarded to BOB DYLAN

 

The news sounded like chimes of heaven in my ears. I was never too impressed by awards, much less by literary prizes. Even so I could not help smiling and smiling and smiling that the 2016 Nobel Prize in Literature was awarded to BOB DYLAN  A great poet that partakes of the lineage of Shakespeare and Keats was honoured today, and I am glad. Thank you, Mr. Dylan, for being so good in making sentences that go right into our hearts.

 

19.04.2016 – Entre Aspas 2 de Fernando Eichenberg

 Entre Aspas 2

Quando bem feita, uma entrevista pode nos transmitir um acervo de informações colhidas pelo estudo e pela experiência do entrevistado na sua área de atuação. Além disso, é uma conversa, e assim não deixa de revelar esse entrevistado como alguém de visões, paixões e emoções mutáveis, tão sujeito ao imponderável quanto todos somos.

Fernando Eichenberg  realiza entrevistas há muito tempo,  e uma primeira coletânea de seu trabalho foi publicada em Entre Aspas  pela Editora Globo em 2006. Vivendo em Paris desde os anos 90, a gama de seus entrevistados impressiona pelo peso e variedade dos assuntos culturais abordados. E o resultado das entrevistas, pela seriedade e conhecimento fundamentado em muita leitura com que ele conduz o fluxo de perguntas e respostas. Mas o que mais fascina no trabalho de Fernando Eichenberg é sua capacidade de se debruçar sobre seus interlocutores, de transmitir lampejos de frases e expressões que deixam à mostra um pouco da aventura de viver e pensar que cabe a cada ser humano.

Com esta nova coletânea, o Entre Aspas 2,  os leitores terão outra oportunidade de conhecer esse trabalho realizado com muita competência e sensibilidade.

Em 2001, Fernando Eichenberg publicou, junto com David Coimbra, o livro Viagem (Editora Artes e Ofícios), crônicas de viagem. Um futuro trabalho contemplará textos sobre a Paris que ele aprendeu a conhecer e amar. Algo a ser aguardado por quem gosta de ler bons livros.

 

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