de revoada

21.12.2017 – Meu Dickie

Foi em 2002 que meu irmão me deu um cachorrinho da ninhada que nasceu na casa dele. Um dackel caramelo, atrevido e amoroso como só os cachorrinhos salsichas sabem ser.

Já são mais de quinze anos de companheirismo e convívio alegre em que, é claro, quem sabe das coisas e me orienta os passos é o Dick, ou Dickie conforme a correção fonética de uma amiga americana. Quando passeamos na rua, ele se lança latindo contra os cachorros grandes porque se imagina com o dobro do tamanho do intruso que surgiu à sua frente. E quando me olha compreensivo, sinto que o cachorrinho conhece de cor e salteado todos os escaninhos de minha cabeça.

Passados tantos anos com suas limitações de praxe, o Dickie já não pula no sofá, mas continua lindo como sempre foi desde pequeninho. E, como não podia deixar de ser, continua no comando da nossa vida.

Admiro desde que me conheço por gente a magia do traço do pintor Pablo Picasso. Foi uma surpresa de grande felicidade descobrir que ele também gostava dos salsichinhas e deixou tracejado com elegância singela o perfil de meu Dickie.

Rosaura Eichenberg

25.10.2017 – A Marcha da Estupidez

Leio com espanto uma notícia das terras norte-americanas. Em Illinois uma professora universitária de matemática afirma sem pejo que a matemática, a álgebra e a geometria promovem o privilégio branco. Se alguém é talentoso nessa área, ofende as pessoas de outras raças que não têm tanta familiaridade com os números.

Difícil entender essa relação entre os números e as raças – uma pista da professora é que as palavras gregas já trazem a marca da superioridade dos brancos. E eu que imaginava ser arábica a origem da palavra álgebra.

Há tempos li que uma grande realização matemática foi a invenção do zero, que se deu na Índia e que, curiosamente, existia também entre os maias. A civilização maia se extinguiu, mas os indianos pelo jeito ainda terão de expiar sua superioridade matemática que ofende tantos outros povos.

Em meio a esse alarido mais ensurdecedor que um samba-enredo de carnaval, procuro envolta nas dobras do passado a voz de meu professor de matemática a me esclarecer as equações e os teoremas. Um arrimo contra os furacões da estupidez.

 

Rosaura Eichenberg

18.02.2017 – Pensamento de Dalai Lama

 

“Amor e compaixão representam para mim
uma religião generosa, universal.
Ninguém precisa de templos ou igrejas para isso,
nem mesmo uma crença específica,
se cada um apenas tenta ser um ser humano
com um coração generoso e um sorriso,
isto basta.”

                                        Dalai Lama

                                                                       Tradução:

Wanda Meyer

12.11.2016 – Sobre o pensamento politicamente correto

 

Diz um antigo ditado latino (em versão livre para o português): “Quando querem destruir alguém, os deuses começam por enlouquecê-lo”. Nos tempos difíceis que estamos vivendo, fiquei pensando sobre o que chamam de “pensamento politicamente correto”, um câncer que atacou as mentes humanas e já atingiu o grau de metástase.  E me ocorreu parafrasear a sentença remota: “Quando querem transformar os outros em escravos, os homens começam por emburrecê-los”.

Rosaura Eichenberg

26.02.2016 – Cadeira de balanço

 

Foto tirada por Paulo Eichenberg

Foto tirada por Paulo Eichenberg

 

O passarinho embala a ausente presença que retoma seu assento no coração da gente.

 

Rosaura Eichenberg

8.06.2014 – Pássaro Azul

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 Fotos de Ana Caillaux

Mesmo sem câmeras especiais e a aparelhagem dos fotógrafos especializados em captar as imagens dos pássaros, o azul deste passarinho se espraiou diante de todos os olhos e coloriu o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Ana Caillaux

14.04.2014

Foi assim que o outono deu as caras no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Foto de Lillian Meyer

Foto de Lillian Meyer

 

Foto de Lillian Meyer

Foto de Lillian Meyer

 

 

 

 

 

 

 

Lillian Meyer

24.03.2014 – O Nome Íbis

admin-ajax.phpSabia que algo muito essencial me fazia adorar essa palavra, Íbis, que é muito vocálica. Sinto que o “s” transforma o som do último “i” quase num mantra, amenizando toda e qualquer quebra que o “b” consoante tente impor. Esses “is” musicais me remetem às águas tranquilas que aninham o pouso silencioso do pássaro, em uma só perna, irradiando os círculos concêntricos e contínuos (a música), que só desaparecem porque não sabemos mais interpretá-los.

Juliana Eichenberg

11.02.2014

Hokusai 1760 – 1849   Pintor de estilo ukiyo-e e gravurista japonês.

Hokusai 1760 – 1849
Pintor de estilo ukiyo-e e gravurista japonês.

Um bando de íbis?

Lillian Meyer

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