de revoada

19.04.2016 – Entre Aspas 2 de Fernando Eichenberg

 Entre Aspas 2

Quando bem feita, uma entrevista pode nos transmitir um acervo de informações colhidas pelo estudo e pela experiência do entrevistado na sua área de atuação. Além disso, é uma conversa, e assim não deixa de revelar esse entrevistado como alguém de visões, paixões e emoções mutáveis, tão sujeito ao imponderável quanto todos somos.

Fernando Eichenberg  realiza entrevistas há muito tempo,  e uma primeira coletânea de seu trabalho foi publicada em Entre Aspas  pela Editora Globo em 2006. Vivendo em Paris desde os anos 90, a gama de seus entrevistados impressiona pelo peso e variedade dos assuntos culturais abordados. E o resultado das entrevistas, pela seriedade e conhecimento fundamentado em muita leitura com que ele conduz o fluxo de perguntas e respostas. Mas o que mais fascina no trabalho de Fernando Eichenberg é sua capacidade de se debruçar sobre seus interlocutores, de transmitir lampejos de frases e expressões que deixam à mostra um pouco da aventura de viver e pensar que cabe a cada ser humano.

Com esta nova coletânea, o Entre Aspas 2,  os leitores terão outra oportunidade de conhecer esse trabalho realizado com muita competência e sensibilidade.

Em 2001, Fernando Eichenberg publicou, junto com David Coimbra, o livro Viagem (Editora Artes e Ofícios), crônicas de viagem. Um futuro trabalho contemplará textos sobre a Paris que ele aprendeu a conhecer e amar. Algo a ser aguardado por quem gosta de ler bons livros.

 

Rosaura Eichenberg

18.12.2013

Caderno de Esboços  Marc Chagall

Em 2009, a exposição O Mundo Mágico de Marc Chagall no Museu Nacional de Belas Artes proporcionou ao carioca um vislumbre da arte de Marc Chagall. Além de pinturas a óleo, foram exibidas gravuras e guaches ilustrando temas da Bíblia, a história de Dafne e Cloé, o romance As Almas Mortas de Nicolai Gogol, as fábulas de La Fontaine. E a beleza do desenho e das cores, a expressividade dos personagens de Gogol, tudo contribuiu para tornar sensível a nossos olhos a falta de ilustrações nos livros modernos. Há ainda fotos, certamente, mas os desenhos e as gravuras desapareceram das páginas. É bem possível que encareceriam ainda mais as edições – não deve ser baixo o custo de um bom ilustrador e de um processo decente de reprodução das imagens. Mas as exigências dos métodos modernos de produção de livros não calam a voz da Alice dentro de nós: “E de que serve um livro sem desenhos e diálogos?”

Rosaura Eichenberg

18.12.2013

A Íbis se propõe a oferecer a leitura de textos sobre literatura e arte apesar de  uma contradição intrínseca a esse projeto e intenção. Serão textos por vezes longos, e a prática revela que a leitura se realiza com mais concentração e prazer nos livros ou periódicos de papel. Será o cansaço dos olhos provocado pela leitura na tela ou mera inadequação aos novos meios de comunicação proporcionados pela tecnologia sempre em desenvolvimento? Já surgem no mercado editorial os e-books, mas ainda é comum a observação de que é incômodo ler textos longos na tela do computador. ‘Quando tenho que ler um texto mais denso, imprimo e leio com atenção longe do computador.’ Os e-books já oferecem uma apresentação que atenue essas queixas que ainda se escutam? E os futuros leitores, que hoje usam fraldas, sentirão a necessidade do texto impresso em papel para que a leitura lhes proporcione prazer e informação bem como o tempo de ruminar e digerir as letras? As mudanças têm prioridade máxima em nosso tempo, e todos sabemos que elas estão longe de ser fáceis. Ainda alinhado com aqueles que não abrem mão do prazer de ler um texto impresso, este espaço apresenta seu conteúdo sem bloquear a possibilidade de textos longos, mesmo sabendo que a leitura pode se tornar cansativa na tela.

Rosaura Eichenberg

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