de revoada

24.03.2014 – O Nome Íbis

admin-ajax.phpSabia que algo muito essencial me fazia adorar essa palavra, Íbis, que é muito vocálica. Sinto que o “s” transforma o som do último “i” quase num mantra, amenizando toda e qualquer quebra que o “b” consoante tente impor. Esses “is” musicais me remetem às águas tranquilas que aninham o pouso silencioso do pássaro, em uma só perna, irradiando os círculos concêntricos e contínuos (a música), que só desaparecem porque não sabemos mais interpretá-los.

Juliana Eichenberg

11.02.2014

O processo criativo nas crianças está em sua forma essencial: sem o gesso dos freios inibitórios, das influências calculadas, dos bloqueios dos pensamentos viciados. O João, de 5 anos, e o Pedro, de 3, ensinam essa lição diariamente, com gentileza e de forma absolutamente involuntária. A palavra dos pequenos está em seu formato e peso exatos. A observação que fazem do mundo que se apresenta é sutil, grata às novidades e surpresas. Tudo é muito espontâneo e organicamente visceral. As censuras e os moldes da palavra falada vão podando essa naturalidade de expressão à  medida que o diálogo vai se tornando um importante balizador do bem estar social. Lamentavelmente, essa adaptação – fundamental – da fala se reflete na escrita que possa vir a se desenvolver. A essência fica mascarada. Estilo, técnica e refinamentos são as ferramentas que nós, adultos, temos para resgatar esse estado de pureza essencial do significado. E, ainda assim, quase sempre ficamos longe, longe, longe do nosso objetivo. A sensibilidade, sem dúvida, é infantil.

Juliana Eichenberg

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